Informe - nº 4 - Ano 3 - Dezembro 2007
EDITORIAL
2007 tem sido um ano de grandes realizações para o Museu Judaico do Rio de Janeiro. Estreamos o ano com o lançamento do livro “Judeus da Leopoldina”, escrito pela jornalista Heliete Vaitsman, diretora do Museu. Trata-se de um marco importante no trabalho de pesquisa e divulgação conduzido por nossa instituição, e que, em breve, deverá dar novos frutos.
Festejando os 30 anos do Museu Judaico, promovemos um belíssimo recital na Sala Cecília Meireles, “Vozes do Holocausto” – sucesso de público e de crítica. Outros eventos se seguiram, sempre contando com presença numerosa. Lançamos uma biblioteca digital de obras raras e, no momento, estamos participando de uma exposição de grande fôlego: “LUSA – A Matriz Portuguesa”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até fevereiro de 2008.
A cada ano que passa, o Museu consolida sua posição como um centro de cultura da comunidade judaica do Rio de Janeiro e da cidade, ganhando reputação entre as instituições congêneres, no Brasil e no exterior. Ao completar três décadas, o Museu Judaico está pronto para novos desafios e planeja fazer sempre mais. Aos sócios, amigos e colaboradores, agradecemos o apoio e convidamos a prestigiarem continuamente nossos eventos. Neste Boletim Informativo, fazemos uma retrospectiva das atividades realizadas em 2007 e trazemos novidades sobre o Museu.
EVENTOS
Os Judeus da Leopoldina
• Na noite de 15 de janeiro, mais de trezentas pessoas lotaram o salão do Atlantic Business Center para o coquetel de lançamento do livro “Judeus da Leopoldina”. Escrita pela jornalista Heliete Vaitsman, diretora do Museu Judaico, a obra foi confeccionada a partir de entrevistas feitas com ex-moradores daquela área, realizadas por uma equipe de pesquisadores. A publicação, publicada com apoio de um antigo morador de Olaria, Max Paskin, foi ainda enriquecida com uma apresentação do acadêmico Moacyr Scliar. Para o Museu, a obra é motivo de enorme satisfação, ao concretizar uma de suas finalidades primordiais: a preservação e divulgação da história e da memória da coletividade judaica no Rio de Janeiro. Com mais duas pesquisas em curso – com moradores e ex-moradores das comunidades de Niterói e da região da Central do Brasil – pretendemos continuar a editar obras deste gênero.
Os Judeus da Holanda no Museu
• Após visita à Holanda, Ronaldo Gomlevsky, editor da revista Menorah, reuniu uma expressiva quantidade de imagens e informações sobre aquele país, riquíssimo em história judaica. Além de render um número especial de Menorah, a viagem foi assunto da concorrida palestra “A história e a vida atual dos Judeus na Holanda”, realizada no Museu Judaico no dia 17 de abril.
Museu comemora 30 anos em grande estilo
• Em comemoração ao seu 30º aniversário, o Museu Judaico do Rio de Janeiro promoveu no dia 29 de abril o espetáculo “Vozes do Holocausto”, sucesso nos Estados Unidos e no Brasil. Mais de cem vozes de adultos e crianças e um conjunto de câmara, regidos pelo maestro baiano Cícero Alves Filho, interpretaram belíssimas canções compostas por judeus durante a Segunda Guerra. Em intervalos entre as canções, o ator Leo Wainer recitou trechos da obra “Yossel Rakover dirige-se a Deus”, de Zvi Kolitz, relato fictício do desespero de um judeu acossado pela fúria nazista. O evento, que levou centenas de pessoas à Sala Cecília Meireles e emocionou muitas delas, marcou também a passagem do dia do Holocausto.
Palestras e Exibição de Documentários
• O Museu manteve em 2007 sua programação regular de exibição de vídeos do acervo e novos filmes, eventualmente seguida de uma palestra ou mesa-redonda com especialistas.
Palestra e Exposição sobre Criptojudeus
• Em parceria com a organização Shavei Israel, o Museu Judaico trouxe para o Rio a exposição “Criptojudeus: A chama que a Inquisição nunca conseguiu apagar”, sobre a história do judaísmo na Península Ibérica e a saga dos Bnei Anussim, descendentes daqueles judeus que, convertidos ao cristianismo, mantiveram em segredo práticas da religião judaica. A organização Shavei Israel, sediada em Jerusalém, dedica-se a auxiliar “judeus perdidos” a retornarem à fé de seus ancestrais, sempre de acordo com a lei judaica. A exposição, que permaneceu em cartaz de 10 a 23 de julho, foi aberta com uma interessantíssima apresentação de Meir Fuksman, Vice-Diretor da Shavei Israel, que lotou o salão do Museu.
Lançamento de livro no Museu Judaico
• O Museu está sempre de portas abertas para autores que desejam lançar livros ou promover um debate em torno de sua obra. No dia 14 de agosto, realizamos o lançamento do livro “Desvelando o Poder: Histórias de Dominação – Estado, Religião e Sociedade”, uma coletânea de artigos, publicada pela Editora Vício de Leitura. Houve uma mesa-redonda e palestras com os historiadores Ângelo Adriano Faria de Assis, Nara Maria Carlos de Santana e João Henrique dos Santos, organizadores da obra.
Prêmio Museu Judaico do Rio de Janeiro
• Pelo nono ano consecutivo, o Museu promoveu o concurso “Carta a Um Sobrevivente do Holocausto”, destinado a alunos de escolas judaicas da cidade, com grande participação. A cerimônia de entrega do Prêmio se deu na sede do Museu, no dia 3 de setembro, com a presença de alunos, familiares e professores. Os prêmios foram entregues pelo Vice-Presidente do Museu, Sani Gutman, e por Alexander Laks, da Shearit Hapleitá, e as crianças leram as redações selecionadas para o público presente.
Lançamento da Biblioteca Digital do Museu Judaico
• No dia 17 de outubro, foi inaugurada a Biblioteca Digital do Museu Judaico. Sete obras raras pertencentes ao acervo do Museu foram fotografadas e podem ser consultadas on-line, através do portal do Museu na Internet. Entre as obras selecionadas estão antigas Hagadot de Pessach e uma edição facsimilar do Machzor Lipsie. O trabalho foi desenvolvido pela DocPro, empresa especializada neste tipo de tecnologia, tendo já realizado projetos como o das "Obras Raras da Biblioteca Nacional”. O lançamento contou com palestra e apresentação técnica, detalhando as formas de acesso e pesquisa do acervo.
Exposições do Museu viajam para outros Estados
• Antigas exposições do Museu Judaico continuam a ser requisitadas por instituições de outros Estados. A exposição sobre o médico e pedagogo judeu Janusz Korczak, montada pelo Museu Judaico em 2005, já exibida em São Paulo, viajou para o Rio Grande do Sul, a pedido da União Israelita de Porto Alegre.
Museu Judaico recebe visitantes ilustres
• O Museu Judaico recebeu em sua sede uma comitiva de trinta pessoas do Museu Judaico de Nova York, no dia 16 de outubro. O Museu costuma receber com freqüência a visita de turistas estrangeiros de passagem pelo Rio de Janeiro, normalmente judeus que encontram referências a nossa instituição em guias de viagens judaicos.
• No dia 18 de outubro, recebemos a visita do novo Cônsul-Geral da Alemanha no Rio de Janeiro, Hermann Erath. O diplomata já serviu como embaixador em Bangkok e Caracas, e em 2006 tornou-se Cônsul em São Paulo. Também estiveram presentes Sergio Niskier e Gerson Hochman, representando a FIERJ, membros da Diretoria do Museu, o professor Davi Gorodovits e a escritora Sofia Débora Levy.
Debate sobre Antigas Comunidades reúne especialistas no CIB
• O Clube Israelita Brasileiro – CIB e o Museu Judaico promoveram no dia 13 de novembro um “Passeio Sentimental pelas Antigas Comunidades”, uma recordação sobre os imigrantes judeus que vieram para o Rio de Janeiro em busca de uma nova vida. A mesa-redonda foi presidida por Max Nahmias, e contou com a participação de Ana Antabi e Rachel Niskier, diretoras do Museu Judaico, que falaram sobre o projeto “Judeus da Central do Brasil”; Heliete Vaitsman, diretora do Museu Judaico e autora do livro “Judeus da Leopoldina”, falou sobre a vivência dos judeus em Olaria, Ramos e adjacências; a professora Fania Fridman, autora do livro “Paisagem estrangeira: memórias de um bairro judeu no Rio de Janeiro”, fez um histórico da comunidade judaica do entorno da Praça Onze; e Radamés Vieira, jornalista e produtor do documentário sobre os judeus de Nilópolis, tratou da história daquela comunidade e do filme que será lançado em breve. Radamés também falou da publicação do primeiro livro em ídiche impresso no Brasil, em Nilópolis, cuja tradução para o Português está sendo preparada para publicação. O evento contou com um público grande e seleto, que ainda assistiu, antes das palestras, a um vídeo sobre imigração judaica produzido por alunos da Escola Eliezer-Max, apresentado pela professora Helena Klang.
Sessão Solene na ALERJ relembra Oswaldo Aranha e a Partilha da Palestina
• No dia 28 de novembro, foi realizada uma Sessão Solene no Plenário do Palácio Tiradentes, sede da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em comemoração aos 60 anos da aprovação do plano de Partilha da Palestina. O Deputado Gerson Bergher, presidindo a Sessão, fez um relato bastante pessoal dos fatos que envolveram a histórica sessão da ONU que aprovou o Plano e sua repercussão, conforme ouvido do próprio Oswaldo Aranha, o ilustre diplomata brasileiro que estava à frente daquela reunião. Aranha não poupou esforços para garantir a aprovação do Plano, que permitiu a criação do Estado de Israel no ano seguinte. Compondo a Mesa, falaram também a Vereadora Tereza Bergher, que transmitiu uma mensagem do Ministro da Justiça Tarso Genro; o Cônsul Eitan Avraham, representando a Embaixadora de Israel no Brasil, Tzipora Rimon; o presidente da FIERJ, Sergio Niskier; Max Nahmias, presidente do Museu Judaico do Rio de Janeiro; o jornalista Alberto Dines; e o chefe do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil, Jeancarlo Summa. O ator José de Abreu fez a leitura do discurso de independência do Estado de Israel, e o Hino de Israel foi interpretado pela cantora Varda. Estavam presentes alguns membros da família de Oswaldo Aranha, entre os quais Pedro Corrêa do Lago, ex-presidente da Biblioteca Nacional e neto do homenageado. Prestigiaram também o evento diversos Cônsules e outras autoridades, além da comunidade, que compareceu em peso, lotando a sala de sessões.
Edição: Leonardo Kruter
Jornalista responsável: Heliete Vaitsman MTB 12880